'RUA AZUSA': É PRA APLAUDIR DE PÉ

October 21, 2019

 


Quem pensa que "Rua Azusa - O Musical", que está em seus últimos dias no Rio, é um espetáculo religioso se engana - e se engana muito. "Rua Azusa - O Musical" é um soco no estômago do racismo e da hipocrisia religiosa. O espetáculo leva ao palco o 'Reavivamento da Rua Azuza', em Los Angeles, na Califórnia, nos EUA, na época em que a segregação racial ostentava sua injustiça nas ruas americanas e tinha espaço nas igrejas.

 

Veja só: lugares abertos para falar sobre Jesus Cristo, aquele que veio para "salvar a todos", não permitiam que negros e brancos ORASSEM juntos. Suas escolas bíblicas NÃO ACEITAVAM negros.

Os EUA dos anos 1900 - umas quatro décadas depois de a 13ª Emenda abolir a escravidão - tinham banheiros, lanchonetes, serviços públicos exclusivos para brancos.

 

E a igreja, lamentavelmente, seguia o modelo do mundo. Em paralelo à história do reavivamento, "Rua Azusa - O Musical" também se passa nos dias de hoje e nos apresenta uma figura polêmica: um pastor racista. Não conheço nenhum pastor assim. Mas não duvido que exista. Pois há instituições religiosas hoje em dia que continuam seguindo o modelo do mundo. Há "igrejas" que perseguem, que agridem, que não aceitam a todos, embora Jesus tenha dito o contrário.

 

Ir à igreja não faz ninguém ser bom. Isso acontece com quem verdadeiramente aprende e segue as lições de Jesus. E, no musical, vemos isso com William Seymour (1870-1922), o homem negro que enfrentou o racismo.

Foi ele que começou o movimento que deu fama à Rua Azusa. Homens e mulheres, negros e brancos, todos juntos por um objetivo: ter uma experiência com Deus.

 

Eles não queriam se vingar dos brancos, ser poderosos, eleger políticos. Eles "queriam o Espírito Santo". E a busca intensa teve resultado quando muitas pessoas que participavam das reuniões foram curadas e libertas de seus males. Por isso, o movimento foi chamado de "reavivamento".

 

O espetáculo tem atores e cantores maravilhosos. É impossível não se emocionar - até para os que nem tem fé. É impossível não querer entender o que está sendo cantado!

 

"Rua Azusa - O Musical" fica em cartaz no Rio até domingo, no Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. Ele é uma vitória contra o racismo, contra a hipocrisia religiosa e uma poderosa demonstração da força da arte. É que o espetáculo da Cia Nissi está de pé e cheio de brilho sem nenhum patrocínio.

 

Saí do teatro com o coração em chamas. O principal mandamento de Jesus é amar o próximo. E quem ama, não desrespeita, não segrega, não humilha, não agride o próximo, seja ele quem for, seja ele como for.

 

Saí do teatro ainda mais convicto de que qualquer lei que tente anular o mais importante dos mandamentos deve ser desrespeitada. Qualquer instituição religiosa que não o cumpra precisa ser transformada.

 

Veja bem: O profeta Daniel, na época do Velho Testamento, descumpriu as ordens do império para seguir orando a Deus. As parteiras hebreias, séculos antes, driblaram a ordenança de Faraó, autoridade máxima da época, para que o pequeno Moisés não fosse afogado no rio. José e Maria violaram as ordens de Herodes para salvar o menino Jesus.

Há momentos na vida em que a lei - ou o costume - dos homens se opõe ao plano divino. E é a sua decisão, por mais difícil que ela seja, que irá te colocar no lado certo da História. Obrigado, "Rua Azusa". A chama não vai se apagar.

Please reload

Our Recent Posts

UM CONSELHO MILENAR

February 12, 2020

DEIXANDO O 'PASSADO' PRA TRÁS

February 12, 2020

A VINGANÇA

January 30, 2020

1/1
Please reload

Tags

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

 

©2018 by Daniel Brunet. Proudly created with Wix.com