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A estrada da vida


Enquanto seguia pela estrada, o garoto se lembrava dos conselhos do velho. — O nome dessa estrada é vida, meu menino, e você precisa ter muito cuidado.

Às costas, o garoto carregava uma volumosa mochila. Nela, os sentimentos, habilidades e capacidades que precisava para chegar ao final do caminho como um vencedor. Estavam todos em potes e caixinhas, bem guardados e protegidos. Alguns foram adquiridos durante a jornada, outros ele já tinha antes mesmo de partir. E de acordo com a situação que encontrava pela frente, o menino sacava da mochila um sentimento ou capacidade e o usava.

Depois de certo tempo, percebeu que curiosidade e humildade eram muito úteis. Gostaria até de ter mais em seus potes, só que era difícil equilibrar tudo às costas. De tempo em tempo, até que conseguia.

Em determinado ponto deserto da caminhada, o garoto encontrou um mercador. Encheu alguns de seus potes, arrumou as coisas e deixou uma caixinha fora da mochila. — Menino, isso é seu... - advertiu o comerciante. — Era, moço. É difícil, mas não a quero mais. Vou deixar aí... — Mas isso não tem valor pra mim. — Não estou te vendendo, não. Estou deixando para trás... — Ok... — Depois de muito tempo, percebi que isso pesa demais, seu mercador, e eu tenho muito caminho pela frente. Deixando essa para trás, ganho espaço para outras coisas, ganho tempo, por exemplo. Quero chegar logo ao meu destino...

Os dois se despediram, e o menino, com os olhos fixos no horizonte, seguiu sua jornada. O mercador, por sua vez, arrumou a tenda e mudou de ponto. Não quis nem mexer na caixinha que o menino deixará ali. Era uma caixa de carregar mágoa.

 

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