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Histórias da imprensa: testemunha ameaçada

Se liga na história. Ela tem 20 anos. Em 1998, um homem ligou para o jornal pedindo ajuda. O Gustavo Goulart, esse aí comigo na foto, atendeu. Do outro lado da linha estava Carlos Antônio Ruff, um carioca que trabalhava como marinheiro civil no Porto de Santos. Ele tinha se metido num esquema de tráfico internacional de drogas e foi pego pela polícia. Só que os policiais, em vez de levá-lo em cana, fizeram dele o seu X-9. Era assim: Ruff participava do esquema de tráfico e contava aos policiais. E os homens da lei achacavam os criminosos. Com medo de morrer, o marinheiro procurou a imprensa e encontrou o Gustavo Goulart, que o levou ao MP. Lá, Ruff revelou todo o esquema e pediu proteção. Se algo fosse comprovado, o jornalista teria uma reportagem e tanto para escrever. . Só que Goulart, repórter há 32 anos, lembra que o trabalho de investigação deixou a desejar. Uma operação no Porto de Santos chegou a ser feita, mas deu em nada. A quadrilha ficou alerta, e Ruff, que passou a ser ameaçado, sumiu do mapa. Um tempo depois ficou provado que as informações do marinheiro eram verdadeiras. Havia um esquema de tráfico de drogas no Porto que contava com apoio de 33 policiais federais e civis corruptos. . Acontece que 18 dias depois de o marinheiro-traficante pedir proteção ao MP, ele acabou assassinado. O corpo foi encontrado, em Bonsucesso, com 4 tiros. . A matéria do Gustavo Goulart (com Renato Garcia e equipe) foi então publicada. Ganhou a manchete do Globo: "Testemunha troca denúncias por proteção e é assassinada" e o Prêmio Esso - sonho de todo jornalista - daquele ano. . E mais importante que isso: foi essa matéria que gerou debate sobre a necessidade de o Brasil ter um programa de proteção a testemunhas. . Jornalismo melhora e fortalece a sociedade. Fake news, não.

 

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