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SÓ UM NÃO FOI ESQUECIDO


Sobre a cruz de Jesus havia a inscrição “Rei dos judeus”. Muita gente conta que seria um deboche. Mas não é bem assim. “Rei dos judeus” foi a “condenação” imposta ao jovem de Nazaré. Naquela época, a região era dominada pelo Império Romano, e declarar-se Messias ou Rei dos judeus era se colocar contra a autoridade de Roma. E isso era crime de sublevação, revolta ou sedição. Muitos acreditavam que o Messias iria instaurar o Reino de Deus na terra. E se o reino seria de Deus, logo não poderia ser comandado por Tibério Cesar, o imperador romano à época. Quem cometia este crime era condenado à cruz. Simples assim. Ou seja: Jesus foi morto (também) por ir contra o governo. Escrevo isto porque ele também incomodou os judeus mais religiosos. Um trecho bíblico (que pode ser lido em Marcos 12, Mateus 22 e Lucas 20) conta que Jesus foi questionado se era correto pagar impostos a Roma – os judeus separatistas eram radicalmente contra a taxação. A pergunta era uma pegadinha. Se ele fosse contra, seria acusado de traição e, consequentemente, executado. Só que, percebendo a intenção de seus críticos, Jesus pega uma moeda, mostra que nela há a esfinge e a inscrição que remetem ao imperador e diz: “Dai a César o que é de César. E a Deus o que é de Deus”. Dessa passagem nasceram dezenas de interpretações e lições... Bem, todos conhecem a história: Jesus foi crucificado. E não foi o único. Nem a ser crucificado, nem a se declarar o Messias. Antes e depois do filho de Maria, muitos outros judeus se autoproclamaram assim. A saber: Ezequias, o “chefe dos bandidos”, Judas, “O Galileu”, Antroges, o “pastor”, e Simão de Pereia. Destaque também Menahem, dos sicários. Todos foram assassinados. A maior parte foi executada pelo Império. Agora, veja só, de todos os “messias” só Jesus não foi esquecido. Os estudiosos creditam isso aos discípulos dele, que testemunharam a ressurreição e mesmo ameaçados de morte não negaram o que viram. Eles, inclusive, foram executados por isso. Tiago, irmão de Jesus, morreu apedrejado. Pedro, crucificado de cabeça para baixo. A convicção desses homens foi sendo passada para as gerações seguintes. Hoje, mais de dois mil anos depois da crucificação, Jesus é conhecido e cultuado em todo o mundo – até em países majoritariamente muçulmanos, como o vizinho Egito. O Rio Jordão, por exemplo, atrai gente dos quatro cantos do planeta. São pessoas que querem ser batizadas ali somente porque Jesus foi. Outros visitam e se emocionam neste jardim (foto). Para muitos, esta é a tumba que recebeu o corpo do "Rei dos Judeus". Dois mil anos depois, ninguém mais se lembra ou celebra os outros ‘messias’. Ninguém mais fala deles. Ninguém visita os lugares por onde passaram ou pregaram. Todos eles morreram para sempre. Jesus, não.