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Histórias da imprensa: 'Vende-se armas... no quartel'


O trabalho do repórter é correr atrás da informação. Isto, Antonio Werneck, repórter há 35 anos, faz com autoridade. Em 2003, veja que história, ele começou a ler processos do Ministério Público Militar. Eram folhas e mais folhas de papel com relatos de diversos casos. Podia ser que ali não tivesse nada digno de virar notícia. Mas só se saberia isso após a leitura. E Werneck encarou a papelada. No meio dos processos, encontrou muitos casos de desvios de armas. Detalhe: elas eram desviadas dos próprios quartéis das nossas Forças Armadas. Muitos casos, muita arma!

O jornalista chegou à conclusão de que nos sete anos anteriores, DEZ MIL armas tinham sido desviadas dos quarteis. E pior: os militares vendiam essas pistolas, fuzis e metralhadoras para traficantes de drogas, que ocupam os morros e aterrorizam a cidade.

A série "Traficantes nos quartéis" começou a ser publicada em 23 de fevereiro de 2003 e, claro, faturou o Prêmio Esso daquele ano. Revelou ainda que armas dos militares da Argentina também haviam sido vendidas a traficantes do Rio.

Essas matérias do Werneck fizeram com que as Forças Armadas aumentassem a vigilância sobre seus paióis e com que o MP Militar criasse um grupo para investigar e evitar novos desvios.

Fizeram mais. Mudaram argumentos. Quando se fala em tirar armas da mãos dos bandidos, muitos logo apontam que a solução é "fiscalizar as fronteiras". É uma boa medida, com certeza. Só que estas matérias mostraram que risco maior são os desvios de armas.

Com as informações divulgadas pelo bom jornalismo, podemos dizer hoje que "não adianta fechar a fronteira, se um agente público vende as armas oficiais para os marginais". . . Não é à toa que quem divulga fake news tem raiva da imprensa. Não é por acaso que quem cultiva a ideologia da mentira tem horror a repórter. A verdade, nossa matéria-prima, é antídoto. Eles, veneno.

 

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